Sempre à mão: 15 apps para a gestão do envelhecimento

A inclusão digital do idoso não é essencial apenas para entreter e melhorar as funções cognitivas. Estou testando alguns aplicativos que têm ajudado muito no dia a dia de cuidados com meus pais. Afinal,  coisas como monitoramento a distância e teleassistência já estão disponíveis e são mais acessíveis do que se imagina.

Com mais de 230 milhões de celulares ativos no Brasil, segundo a última Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), aplicativos podem ajudar a resolver problemas de acessibilidade e segurança. 

Não testei todos ainda, mas fiz uma pesquisa do que existe e gostei do que vi. De toda forma, é muito mais fácil gerenciar uma rotina de um idoso com todas as informações necessárias sempre em mãos. 

E, com a maioria dos smartphones funcionando não apenas para um tipo de dispositivo, mas permitindo a integração com diversos aparelhos que vão desde outros smartphones até tablets, ficou muito mais fácil acompanhar os velhinhos de perto.

Confira a seguir minha lista com 15 opções que valem a pena testar:

#Socorro

O aplicativo brasileiro Socorro foi desenvolvido para situações de emergência. Criado para Sistema Operacional iOS, o aplicativo é uma mini ficha médica onde contém informações essenciais como contato para situação de emergência,  tipo sanguíneo e medicamentos usados, entre outros. 

Recomendado para ficar na página inicial do iPhone, caso ele tenha senha, suas informações vitais e a ficha médica ficarão acessíveis para casos de emergência onde os socorristas precisam dessas informações para um atendimento mais eficiente.

Contando com um botão chamado “emergência”, o Socorro acessa, através dele, telefones úteis como Polícia, Bombeiros e Samu ou contatos de emergência, como hospitais de preferência. Você pode configurá-lo ainda para enviar automaticamente um torpedo com pedido de ajuda por SMS para alguém de confiança ou uma mensagem pré-definida via Twitter para seus seguidores.

#Docway

Principal aplicativo médico do Brasil, disponível para sistemas IOS ou Android. Surgiu com o objetivo de facilitar a vida de quem precisa de atendimento médico humanizado, levando o médico até o paciente por meio da tecnologia. Hoje, conta com mais de 55.000 usuários, está presente em mais de 340 cidades, e todas as capitais do país. 

O aplicativo trouxe um conceito inédito para o segmento da saúde, revolucionando o setor desde o seu lançamento em 2015. Graças a esse projeto inovador, hoje é possível chamar o médico para uma visita onde quer que o paciente esteja, facilitando o dia a dia de quem precisa de cuidados médicos com um atendimento exclusivo e diferenciado.

#Einsten Vacinas + Meu Einstein

Esses dois aplicativos foram criados pelo Hospital Israelita Albert Einstein para facilitar na hora de agendamento de exames e manter a caderneta de vacinação em dia e ambos estão disponíveis para Sistema Operacional Android e iOS.

O aplicativo Einstein Vacinas foi idealizado pelo gerente médico da Unidade Ibirapuera ao analisar quantas pessoas não tomavam vacina ou não voltavam para uma segunda dose, comprometendo a imunização, por simplesmente esquecerem.

O Meu Einstein conta com um sistema inteligente que o informa quando seus exames estiverem prontos, enviando-os diretamente ao seu médico, caso você deseje. Além de lhe informar qual o endereço e contato da Unidade Einstein mais próxima, o aplicativo permite que você cheque o seu histórico de exames e pré-agende novos procedimentos, realizando o check- in online e antecipando protocolos necessários.

#Instant Heart Rate

Mede a frequência cardíaca utilizando o celular e está disponível para Sistema Operacional Android e iOS. Para que ele funcione, é preciso apenas pressionar o dedo indicador em cima da lente da câmera por 15 segundos e ele fará a medição do fluxo sanguíneo entre cada batimento cardíaco. É importante que faça isso em ambientes bem iluminados.

O Instant Heart Rate mostra em tempo real gráfico PPG (ECG/Cardiograph) para ver todos os seus batimentos cardíacos e possibilita a monitoração da sua frequência antes, durante e depois de exercícios. Ele permite o armazenamento do seu histórico de utilização e o envio dos resultados através de gráficos para seu e-mail.

#Glico

Utilizado para controle glicêmico, o aplicativo Glico está disponível gratuitamente para Sistemas Operacionais Android e iOS. Criado pela Unit Care Tecnologia, ele auxilia no controle da diabete, controle glicêmico e monitora os sintomas de diabetes.

Esse aplicativo possui quatro funcionalidades principais:utiliza a câmera para fazer a leitura do nível de glicose no sangue; traduzir através da câmera a sua refeição em carboidratos e calorias; manter um registro de atividades físicas; e manter um histórico de administração de medicamentos. Você encontra também no aplicativo uma gestão completa e monitoramento remoto de pacientes crônicos ou em home care.

#IDosos

Enquanto a interface de usuário do iPhone é frequentemente elogiada por ser mais simples, o sistema Android é um pouco mais complicado de lidar. Isso pode ser um problema para pessoas que não estejam acostumadas a usar smartphones ou que possuam problemas relacionados à visão. O aplicativo iDosos tenta resolver esses dilemas provendo tutoriais interativos para explicar as funções básicas de um smartphone. 

Ele utiliza emojis para ensinar a fazer ligações, escrever mensagens, gerenciar os alarmes do celular e também dispõe de narração em áudio para o passo-a-passo.

#Easy Idoso

Além de bater papo, há também quem goste de conhecer pessoas novas e participar de eventos comunitários. O Easy Idoso oferece um catálogo de atividades para a população idosa, associações de terceira idade, eventos e até auxilia a encontrar serviços úteis perto de casa, como centros de beleza.

#Fone Fácil

É um app que, além de promover acessibilidade no uso de celulares para deficientes auditivos e visuais e também idosos, é programado com um botão de pânico configurável para um contato específico. 

Uma vez pressionado o botão, o telefone automaticamente disca o número definido e envia uma mensagem solicitando ajuda. A ferramenta se revela extremamente útil para idosos que vivem sozinhos ou que precisam de acompanhamento frequente.

#Estou Bem

Outro aplicativo simples, que avisa aos familiares o que o usuário está fazendo no momento. Ele requer que, tanto a família como o usuário criem uma conta no aplicativo, e então o “emissor” das mensagens pode começar a usar as funções, que envolvem o registro de diferentes status como “Estou Bem”, “Vou Sair” ou “Ligar Urgente” em um layout colorido e com ícones grandes para facilitar o clique.

#MyTherapy

A perda de memória pode ser algo comum no processo de envelhecimento, e a tecnologia está à disposição para ajudar a reduzir o impacto dos lapsos de memória quando se trata de saúde.

Com mais de um quarto dos medicamentos sendo prescritos para idosos, que representam apenas 10% da população brasileira, MyTherapy é uma ferramenta eficaz em assegurar que comprimidos, tabletes e injeções sejam ingeridos corretamente. 

Lembretes para medicamentos podem ser programados seguindo planos de tratamento específicos e individuais, não importa quão complexos eles sejam. O app imediatamente notifica o usuário quando chega a hora de tomar seus remédios.

 Além de lembrar dos medicamentos, outras funcionalidades como notificações para atividades físicas e gerenciamento de sintomas com emissão de relatórios de saúde fazem deste um excelente instrumento de controle.

#NutraBem

Criado por um grupo brasileiro de nutricionistas, o NutraBem é um aplicativo que tem como objetivo auxiliar na reeducação alimentar. Pensado para agir de acordo com os hábitos alimentares do nosso país ele torna muito mais fácil e consistente na hora de controlar o número de calorias ingeridas, facilitando a escolha de alimentos e até substituindo alguns.

Disponível para Sistema Operacional Android e iOS, o NutraBem não necessita de internet, o que facilita seu uso em qualquer lugar e a qualquer hora. 

Esse aplicativo permite simular as refeições antes do consumo para orientação das decisões, além de calcular a necessidade diária de energia para a meta de peso que se deseja atingir.

#Water your body

Classificado como “Excelente” pela Applause, empresa americana especializada em testes de software que ranqueia os melhores aplicativos de saúde, o aplicativo Water your body calcula a partir do seu peso o quanto você precisa beber de água por dia.

Definindo os horários das notificações e o intervalo entre elas, o Water your body, informa quanto você já consumiu de água. 

Disponível de forma gratuita, e paga, por Sistemas Operacionais Android e iOS, esse aplicativo permite que você crie copos com medidas personalizáveis e visualize o histórico de consumo, além de um relatório em forma de gráfico com o consumo de água diário, a média semanal e a anual.

#Google Fit

Esse aplicativo do Google foi criado para auxiliar quem pratica exercícios, ou quer começar. O Google Fit monitora o quanto você caminha, corre e pedala por dia através do acelerômetro e do GPS do aparelho, mostrando seu desempenho diário e semanal.

Disponível para Sistema Operacional Android, permite que você crie metas e acompanhe a perda de peso. Marcas como Nike e Adidas também desenvolveram aplicativos compatíveis com os dois sistemas: recomendo tanto o Runstatic como o Nike Trainning. Uso os dois para organizar meus treinos de corrida.

#Medite.se

Disponível para baixar em IOS e Android, o app de meditação serve para tirar o máximo de proveito no dia-a-dia. Com apenas alguns minutos por dia, é possível aprender a treinar sua mente e corpo para uma vida mais saudável e tranquila. Os áudios de narração estão disponíveis em português, e podem ser baixados para escutar off-line.

Com Portal Plena e O Estado de S.Paulo.

Envelhecimento e desemprego: equação para novas carreiras

Somos 13 milhões de brasileiros desempregados. É muita gente fora do mercado de trabalho, apesar de o  IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicar nesta sexta (28) ligeiro aumento no número de ocupados no segundo trimestre. Essa melhora está relacionada ao aumento do trabalho informal e da subocupação, quando se trabalha menos do que se pode e se precisa. Um cenário que tem levado muitas pessoas a transformar suas dificuldades em oportunidades de negócios. É o caso daqueles que lidam na prática com as questões do envelhecimento, em seus mais diversos aspectos.

Soma-se a isso o fato de o País oferecer muito pouco aos idosos e temos a equação perfeita para o surgimento de novas atividades.  “Não é só questão de assistência e de mobilidade, é também companhia para quem se sente só”, diz Luciene Bottiglieri. E foi por experiência própria que ela, formada em Administração de Empresas e pós-graduada pela Faap em Mercadologia, decidiu mudar de rumo e criar a LB Concierge de Idosos. 

Luciene é solteira, tem 48 anos de idade e não tem filhos.  É a única mulher em uma família de 4 homens. Aprendeu a conviver com a demência progressiva do seu pai, já falecido, por 25 anos, mais o Alzheimer da sua mãe, também falecida, por 6 anos.

Arquivo pessoal LB Concierge de Idosos.

Concierge é um termo da língua francesa e é um cargo comum no ramo hoteleiro, consistindo na função do profissional responsável por atender as necessidades básicas e especiais dos hóspedes. Por se tratar de um conceito novo no Brasil, o concierge de idosos ainda é confundido com o cuidador ou com um acompanhante de idosos.

Na prática, a LB Concierge de Idosos é um  “amigo social”, um facilitar na vida do idoso nas atividades que ele deseja realizar fora de casa. “Desenvolvemos um trabalho profissional, mas que preserva o caráter humanizado em que o idoso é sempre ouvido e respeitado”. 

De acordo com ela, a tarefa é proporcionar comodidades ao idoso, e à família do mesmo, por meio da troca de experiências e um importante trabalho de assistência em atividades do cotidiano, lazer, entretenimento, bem estar e saúde. 

Não é a única a perceber uma janela de oportunidades.  Com mais de 14% das pessoas vivendo sozinhas, das quais 44,3% com mais de 60 anos de idade – segundo o próprio IBGE -,  e a taxa de desemprego nas alturas, muita gente está se oferecendo como filho ou neto de aluguel.

Foi diante desse cenário e em busca de renda extra que engenheiro civil Aloísio Melo, 46 anos, virou neto de aluguel. Não foi diferente com o segurança Everaldo Silva, 48 anos, que criou um blog para vender o serviço de filho de aluguel.

Um na Grande Vitória (ES) e outro na Grande São Paulo (SP), respectivamente, usaram a criatividade para se recolocar no mercado e driblar a crise. E, na essência, oferecem o mesmo serviço: acompanhar o contratante em compromissos e atividades. Para ambos, a ideia surgiu a partir do trabalho como motorista do aplicativo Uber. Nas corridas, perceberam a carência de companhia e de auxílio de parte do público com mais de 60 anos de idade.

Paciência é a maior aliada

Aloísio foi além do acompanhamento. Ao ensinar uma senhora a baixar o app de transporte, percebeu que tinha jeito para ensinar esse público a “decifrar” as novas tecnologias. Passou, assim, a oferecer aulas. É preciso, diz ele, trabalhar no “tempo da pessoa”. “A paciência é minha grande aliada”, garante.

Já a proposta de Everaldo é oferecer transporte diferenciado. “A ideia é acompanhar ao médico, ao supermercado, ao banco ou ao shopping para um momento de lazer, tudo dentro de uma relação de amizade e confiança”, conta.

Não é, dizem eles, que a família não tem interesse em estar no dia a dia. Mas a rotina corrida dos filhos e dos netos nem sempre permite uma brecha na agenda. E filhos e netos de aluguel podem acompanhar nas consultas médicas e até ser parceria em viagem.

Referências de custo ainda são problema

E quanto custa o serviço de netos de aluguel? Nenhum dos dois fala em valores. Dizem que tudo é negociável no contato com os clientes. Há quem cobre por hora. E existe quem feche um preço pelo serviço, aos moldes do já popular marido de aluguel, contratado para fazer pequenos reparos domésticos.

Os contratantes ainda preferem os serviços de um cuidador, que tem formação na área e é uma atividade que passou a ser regulamentada, opina Claudio Hara, diretor do Centro Dia Angels4U e mestre em gerontologia social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Também é difícil mensurar um valor mínimo desse tipo de acompanhamento”, diz. “Talvez por isso ainda tenha se popularizado tão devagar.”

Apesar de ser uma opção para quem precisa de companhia em compromissos, o neto de aluguel ainda é visto por alguns com desconfiança. “Aqui em Marília [interior de São Paulo] não pegou apesar da oferta voluntária”, diz Adriana Cavallaris, 48 anos, outra potencial filha de aluguel “por vocação”.

Inspiração que vem da Espanha

Por falar em trabalho voluntário, não é a primeira vez que trago inspiração da Espanha, onde a moradia compartilhada para os maduros já faz um tremendo sucesso e parte da política pública. Leia aqui. Agora outro projeto que nasceu por lá ganha destaque.  O “Adote Um Avô”, iniciativa de Alberto Cabanes, após uma visita ao próprio avô num lar para idosos, começou em Madri e se espalhou pelo país afora.

A ideia é levar companhia e alegria para milhares de idosos que vivem em asilos sem receber a visita de nenhum familiar. Mais de 1000 avôs e avós já foram “adotados”, por mais de 200 voluntários. “Tive a sorte de ser criado pelos meus avós e de aprender com eles valores valiosos. Ninguém merece estar só. E nos lares há muita solidão”, disse Alberto em entrevista ao El Mundo.

Adote um Avô: o projeto encantador que combate a solidão de idosos
Divulgação

Em Portugal, uma fotógrafa fascinada pela velhice e que fez disso seu ganha-pão. A portuguesa Sandra Ventura se especializou em fotografar idosos em centros de dia e lares. No início era ela quem entrava em contato com as instituições. Hoje, porém, são as instituições de diversas partes de Portugal que a chamam. 

Ela fotografa todos os idosos que querem ser fotografados, mesmo que não tenham famílias que depois comprem as fotos. As fotos vendidas é que geram lucro. “Fotografar crianças renderia muito mais porque os pais compram tudo e com os velhos ainda não é assim porque são vistos como inúteis ”, disse em entrevista ao portal de notícias Magg. 

Uma visão que precisa mudar, mesmo que a conta-gotas. 

Quando os problemas ambientais vieram à tona, toda a sociedade teve de passar por uma reeducação que a levou a rever seu comportamento. De lá para cá, o entendimento do ciclo de vida de um produto faz parte do cotidiano das mais diversas gerações, que entenderam a preservação do meio ambiente como algo essencial para o futuro do planeta. O desafio agora é modificar a compreensão sobre o ciclo da vida humana para ressignificar a longevidade, um fenômeno inédito para os brasileiros.

É possível se abrir ao amor nos tempos de Tinder?

“A essência de uma pessoa é o amor e a vida só existe quando o amor se movimenta”, diz o psiquiatra Sérgio Felipe de Oliveira, doutor em Neurociências e pesquisador na área da Psicobiofísica.  A afirmação faz sentido para muita gente – e, ao que parece, também para a escritora Isabel Allende, 75 anos, que já declarou publicamente estar com o coração aberto ao amor.

Mas o que é se abrir para o amor em tempos de Tinder e de relações líquidas, em que nada é feito para durar? A idade conta nesse processo?

Na prática,  amor não escolhe idade. A experiência e o tempo fazem com que assuma formas diferentes. As emoções tresloucadas e carnais da juventude dão lugar a uma versão mais amadurecida, que se reflete num relacionamento em que há mais tolerância e prazer na companhia do outro.

É disso que fala a autora de obras como A Casa dos Espíritos. Allende vive uma espécie de lua-de-mel com o novo namorado, o advogado americano Roger Cukras, com quem divide o mesmo teto há pouco tempo. Ela estava separada havia dois anos do também advogado Willie Gordon, com quem permaneceu casada por 28 anos.

O romance com o ex acabou, mas inspirou outro romance: o livro Muito além do Inverno, lançado ano passado. “Por que termina o amor? Será que se pode continuar amando depois de tanto tempo? Escrevi movida por essas inquietações”, declarou ela ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Depois, contudo, conheceu outro homem. “Mesmo com o livro já terminado, me vi tomada por outra questão: como é namorar aos 75 anos? Descobri que é o mesmo que namorar aos 17, só que com uma sensação de urgência. Não tenho tempo mais para a pequenez da vida, para jogos estúpidos”, completou.

Ponto final pode ser recomeço

“Colocar o ponto final num relacionamento não significa que você não está mais apta a se relacionar”, diz a psicanalista Débora Damasceno, diretora da Escola de Psicanálise de São Paulo.

Na avaliação dela, quanto mais tempo de convívio com alguém maior a facilidade de abrir o coração para um novo amor. “É um fator que conta, pois quem mantém um relacionamento longo sabe perfeitamente as dores e as delícias de compartilhar a vida”, diz. “Hoje em dia o discurso em voga é o do benefício da solidão, mas no fundo tudo que se quer é se abrir ao amor”.

E na prática isso significa dar vazão ao rumo natural das coisas, já que a capacidade de amar permanece conosco enquanto estamos vivos. “É a própria pulsão da vida”, acrescenta Débora, para quem mesmo as experiências ruins trazem sabedoria.

Ruptura para abrir novos caminhos

Estar aberto ao amor significa também não aceitar o que impõe a estrutura da sociedade, uma pressão que pode paralisar os sentimentos, de acordo com ela. “Somos condicionados a agir de certo modo, mas quando não se corresponde ao ambiente em que se vive há uma ruptura que tende a abrir o caminho para outras pessoas que não tinham coragem de fazer o mesmo”.

Ao declarar publicamente que estava aberta ao amor Isabel Allende fez esse papel, diz Débora. “Muitos de sua idade não tinham coragem e seguiram seu exemplo”, completa a especialista.

“Os sentimentos não mudam, apenas as formas de aproximação, especialmente depois do advento da internet. Hoje, a conquista é mais fácil e rápida, mas raramente profunda. Antes, havia o que chamávamos da química de uma paixão, o envolvimento do casal. Agora, os jovens permanecem adolescentes durante mais tempo, portanto, não querem longos comprometimentos”, declarou a própria Allende.

Concorda com ela o psicólogo Luiz Francisco Jr, life coach e professor da Fadisp, para quem uma das coisas boas da longevidade é que não há mais preocupação com as expectativas alheias.  “É um período possível de se experimentar uma redução da ansiedade, uma liberdade maior para aproveitar a vida, possibilitando assim atitudes que antes eram consideradas impossíveis”.

Bentinho não tinha Facebook

Agora, em tempos de Tinder, nada mal dar uma boa checada nas redes sociais dos potenciais parceiros. Tá certo que ninguém está livre de desilusões ao encontrar companhia pelos meios tradicionais.

Mas pensa bem!

Dom Casmurro, um clássico da literatura universal, não existiria nos tempos modernos. Se o Machado de Assis tivesse um celular nas mãos a inspiração seria outra. Tenho certeza!

O Bentinho nunca concederia o benefício da dúvida à Capitu se pudesse acessar a internet e vasculhar a sua vida no Facebook ou no Instagram. Com certeza alguma prova da traição estaria lá. Escancarada.

Checar para não se decepcionar

É por isso que, em parte, sou obrigada a apoiar os “stalkeadores”. Stalkear é uma gíria do idioma português, baseada na palavra inglesa stalker, que significa literalmente perseguidor.

A palavra costuma ser usada para se referir ao ato de espionar ou perseguir as atividades de determinada pessoa nas redes. O que você consegue descobrir por ali cruzando dados é assustador…

Quem ainda não viu a série You? Ou Dirty John, inspirado em caso real?

Aí eu te pergunto: até que ponto uma traição virtual pode ser considerada infidelidade? Pra mim, traição é traição! A intenção faz o ladrão. É desleal com o outro! Seja no mundo real ou no virtual.

E vocês o que acham? Há limites para as relações virtuais? 

Veja também Romance entre idosos é bom para a saúde.

Por uma vida com mais check-ins e menos check-ups!

As viagens ocupam um papel cada vez mais importante na vida dos maduros, como consequência da busca pelo bem-estar. Mas o turismo na maturidade tem ganhado novos contornos com uma turma aventureira, que faz da diversão um projeto de vida.

Os últimos dados da Sondagem do Consumidor — Intenção de viagem, do Ministério do Turismo (Mtur), mostram que o desejo de viajar sozinho ou acompanhado é crescente na faixa etária acima de 60 anos, chegando a mais de 30% nesse grupo de viajantes. Mas os dados disponíveis estão bem desatualizados e são de novembro de 2017.

Portanto, vamos tratar do assunto com pessoas e não com números, ok?

Nem precisa ir muito longe pra encontrar gente disposta a colocar uma mochila nas costas e ganhar estrada. É o caso de uma amiga que mal completou 50 anos e está decidida a colocar tudo que tem à venda e sair por aí mundo afora num roteiro de baixo custo.

Não é a única. Como jornalista, já entrevistei duas vezes a Patrícia Martins de Andrade. É dela a foto que ilustra o texto. Uma personagem e tanto! Que tem feito viagens incríveis e, de quebra, deu uma guinada na carreira após os 50 ao se mudar pra Portugal. Leia em Tempo de (se) cuidar.

O tema é recorrente. Mas o que chama atenção é o desprendimento dessas pessoas consideradas idosas, embora eu não concorde muito com esse termo.

Hoje mesmo li texto da BBC com maduras que, depois de passar a vida cuidando da família, decidiram cuidar de si e realizar seus sonhos. Leia em Mochileiras depois dos 60.

E não é preciso muito dinheiro – graças a Deus – para quem opta por realizar mais check-ins e menos check-ups. Basta planejamento e alguns cuidados já que dependendo da idade será preciso realizar o check-up antes de fazer o ckeck-in.  

Por precaução, por recomendação médica, ou simplesmente para tranquilizar a família.

Agora, tem muita gente conhecendo destinos sensacionais e viajando so-zi-nha! Além disso, compartilham moradia e conhecem pessoas… Nada da frieza impessoal dos corredores dos hotéis.

Então, por que não?

Vamos combinar que a companhia de uma amiga pode ser fantástica, mas também pode se tornar um desastre dependendo do humor de ambas. E nem precisa ficar velha pra isso. Já me desentendi com uma amiga da faculdade numa viagem para Búzios, vejam só. E eu tinha 20 anos…

Se estiver sem namorado, então, melhor ainda…

As possibilidades de encontrar alguém nessa jornada são enormes! E aplicativos pra isso não faltam, né?

No começo é natural ficar receosa sim! Afinal, há pouco tempo mulher viajar sozinha, sem destino e sem grana, seria inviável. Mas nada mais natural que acompanhar as mudanças do mundo. E sabe que pesquisando o tema eu achei muita gente que transformou isso em trabalho.

É o caso dos Nômades Seniores, cuja aventura rendeu até livro.  Como escrevem Debbie e Michael Campbell no site, eles são de Seatlle, Washington, uma ótima cidade pra se chamar de lar. Mas que ficou pequena demais pros sonhos desse casal quando estavam à beira da aposentadoria.

“Sentimos que tínhamos mais uma aventura em nós , então em julho de 2013 alugamos nossa casa”.

Eles também venderam o veleiro e um dos carros para reduzir as coisas e as despesas. Então deram adeus à família e partiram para explorar o mundo.  O objetivo era viver o cotidiano nos lares de outras pessoas, da mesma forma que fariam se tivessem se aposentado em Seattle.

“Até agora a experiência tem sido tudo que esperávamos”.

Nesse caso, os números contam…

Desde que partiram, utilizaram mais de 200 vezes os serviços do Airbnb, visitaram mais de 250 cidades em 80 países, incluindo toda a Europa, Turquia, Israel, Rússia, México, África, Cuba, Oriente Médio, Ásia Central, Nova Zelândia, Austrália e Ásia. O resultado foi a venda da casa em Seattle para se tornarem verdadeiramente nômades.

Tiozinhos e mochileiros sim!

Veja o que fazem os Tiozinhos Mochileiros. Julio e Rosi voltaram a viajar com a mochila nas costas depois que os filhos cresceram, como quando eram jovens sem preconceitos.

E os filmes, como esse aqui embaixo, são exibidos em um canal no Canadá.

Pra não dizer que são só os gringos e os casais que têm coragem, li outro dia a história da aposentada Josefa Feitosa, de Fortaleza (CE), que se “autocondenou à liberdade”, como ela mesmo diz. E já visitou cerca de 40 países

Só volta ao Brasil para renovar o passaporte.  Divorciada, mãe de três filhos e avó de um neto, resolveu se desfazer de casa, móveis e roupas. Tudo o que tem agora cabe dentro de uma bagagem.

Assim como mantém um diário de viagem no Facebook , batizada Jô: minha casa é onde minha mala está, a aposentada também registra a vida em cadernos, desde os anos 1980.

No roteiro, experiências em Auroville, a cidade onde se vive sem dinheiro na Índia, na noite de Amsterdã, nas praias de Zanzibar e no leito do rio Nilo, no Egito.

Sabe de uma coisa? Depois de tudo que pesquisei, cheguei a conclusão que viajar não é apenas rejuvenescedor; também pode ser intelectualmente estimulante.

Eu, ao menos, sou naturalmente propensa às novas experiências e aventuras. Não há como negar que é uma baita oportunidade para mudar as coisas da monótona rotina do dia-a-dia.

E você? Se aventuraria?

Texto originalmente publicado em Dominique.

Em busca da capacidade de colaborar além das tecnologias

Eu não sei bem ao certo quando começou meu interesse pela transição demográfica e pelo impacto do envelhecimento no mundo. Mas eu sei que tenho tido oportunidades incríveis de mudar meu olhar sobre a maturidade, arregaçar as mangas e tomar atitudes práticas para colaborar com esse processo.

Até meu temor de ficar velha e não ser mais quem eu sou passou. Não é porque envelhecemos que necessariamente perdemos nossa essência. E tenho tentado fazer a lição de casa direito, cuidando do corpo e da mente, já pensando numa velhice com autonomia.

“Toda idade tem prazer e medo”, como canta Frejat em Amor pra Recomeçar.

Mas eu penso que tenho tido mais prazer do que medo…Estou feliz em perceber que o correr dos anos me fez mais tolerante e generosa. É claro que isso não é uma regra e já tratamos da diversidade no envelhecimento aqui nesta Casa.

Óbvio que o despertar para a longevidade bem vivida se intensifica dia a dia desde que passei a conviver com as peripécias da minha dupla de velhinhos. Meus pais são fonte de  inspiração para muitos dos temas aqui tratados por mim.

E se tem uma coisa que percebi ao me mudar pra uma cidade do interior por causa deles, é quão importante pode ser a colaboração nessa fase.

Conviver numa comunidade colaborativa pode nos tornar pessoas mais maleáveis. O que nos leva a aceitar os desafios impostos pelos anos e a envelhecer melhor.

E, vamos combinar, é igualzinho no mundo virtual, que abre oportunidades ímpares de colaboração.  Esse blábláblá todo pra contar que encontrei muita gente bacana por esse caminho que a minha vida tomou.

Gente que, assim como eu, se dedica a buscar soluções para este Brasil Sênior.  

E a partir do momento que temos a mesma (boa) intenção nada mais natural que exista uma colaboração entre nós. E que ela vá além da tecnologia. Assim surgiu minha parceria com a Ana, do Portal Plena, e com a Juraci, do Viva a Velhice. Um blog que como ela mesmo descreve é feito pra todas as idades.

Não podia deixar de me referir  também a colega Katia Brito, do Nova Maturidade, um canal super bacana e do qual passo a reproduzir conteúdo. É de lá as informações que trago sobre a edição do Simpósio da Longevidade Ativa.

Munidos pelas novas tecnologias

Como tem sido anualmente, foi um dia todo de debate sobre quatro pilares do envelhecimento ativo – Cuidados, Informática, Preconceito e Saúde Mental. Realizado na USP, o evento trouxe a visão de especialistas como a professora Monica Perracini, do programa de Mestrado e Doutorado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). Ela destacou a tecnologia como uma importante ferramenta para se viver melhor.

Como escrevi em Movimento para inclusão digital do idoso ganha força, a longevidade também tem aberto um enorme potencial para novos negócios. E atrai a atenção de startups, que apostam na criação de produtos e serviços que vão desde casas inteligentes e dispositivos de segurança até assistentes digitais de saúde e  acompanhamento social e cognitivo.

“A tecnologia pode ajudar, mas não deve substituir o contato, que transforma quem recebe e quem oferece o cuidado”, alertou Monica.

Contato virtual estimula contato real

O contato real é essencial, mas a interação digital pode ajudar e muito. É que apontou a gerontóloga Glaucia Martins de Oliveira Alvarenga. Ela trouxe dados sobre os impactos das redes sociais na redução dos riscos de isolamento e solidão.

Sua pesquisa revela que com a maior integração, os idosos descobrem novas habilidades. A inclusão digital provoca ainda a atualização e colaboração, criando outras novas redes de suporte.

A tecnologia também pautou o diálogo com Fabio Ota, CEO da International School of Game, a IS Game. Ele apresentou o trabalho da empresa que ensina adultos 50+ a desenvolver games, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógico e a prevenção do declínio cognitivo. O projeto que funciona na Unicamp, tem unidades em São Paulo, e foi financiado pela Fapesp.

O principal desafio, segundo contou, foi e ainda é o preconceito por parte dos próprios idosos. Daí a criação do projeto Cérebro Ativo, uma academia de ginástica cerebral, que aos poucos vai quebrando essa barreira.

E falando em preconceito, o professor Egídio Lima Dórea, organizador do simpósio e coordenador da USP Aberta à Terceira Idade, moderou um módulo inteirinho sobre o assunto.

Foi quando o professor Jorge Felix, do Centro de Estudos da Economia da Longevidade, abordou a tradução do termo “ageism”, criado pelo psiquiatra americano Robert Butler, em 1968.  Ele defende que o mais adequado seria adotarmos “idosismo”, e não “ageísmo” como é utilizado hoje. Isso porque, segundo Felix, o termo atual retira a ênfase da pessoa idosa, nega a velhice, não caracteriza a estigmatização e fragiliza o sujeito político na esfera pública.

Competências para o mercado de trabalho

O preconceito no mercado de trabalho foi discutido pela consultora organizacional psicodramatista, Izabela Toledo, da FESA Group. Ela trouxe o exemplo de seu avô Celso Falabella de Figueiredo Castro, que faleceu aos 103 anos, e foi lúcido até os cem.

Contando a história dele, ela destacou as competências que ele tinha e hoje são exigidas: adaptabilidade e resiliência; curiosidade pela vida e aprendizagem; coragem para experimentar e mudar; e relacionamento, além do sentido de pertencer.  

Por isso, é preciso vencer os nossos próprios preconceitos, a dificuldade de lidar com o desconhecido, e encarar o novo como uma possibilidade de aprender algo diferente.

O preconceito nas instituições de saúde existe e foi destacado pela professora Ana Cláudia Bonilha, doutoranda em Saúde Coletiva. Na sua avaliação, a saída para amenizar o problema é ajustar o modelo de atendimento ao idoso, rever valores e crenças que causam a discriminação etária e formar profissionais capacitados.  

Ana Cláudia usou o termo “gerontofobia sanitária” para a aversão do idoso no campo da saúde, que resulta na generalização de dores, uma investigação pouco minuciosa dos sintomas e o preconceito em diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis.  

O que eu posso fazer de verdade?

Dórea também foi moderador do módulo inicialmente chamado de Saúde Mental, mas renomeado por ele de Bem-estar. Rui Afonso, do Grupo de Bem-Estar e Práticas Contemplativas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, abordou os benefícios da meditação, para qualidade de vida.

“Adotar um novo estilo de viver, atividade física e alimentação pode retirar a pessoa do envelhecimento mal sucedido”, disse.

Ele ressaltou os aspectos positivos da atenção sustentada na prática contemplativa, quando a pessoa se concentra e relaxa a lógica, ou seja, não analisa, não julga e não cria expectativas.


O tema “Envelhecimento e Propósito” encerrou o evento, que contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de José Gregori,ambos com 88 anos. “É um momento de requalificar, redimensionar, repensar as coisas, e perceber se ao que se dedicou valeu realmente a pena”, disse Gregori, presente também na edição do ano passado.

Para FHC, a vida é feita de acasos. Ele destacou a importância de viver a plenitude de cada momento, manter uma jovialidade espiritual e a capacidade de entender o que está mudando, diante das enormes  transformações do mundo. E, em vez de pensar no que passou ou ficar idealizando o que vai acontecer, buscar o que de fato pode ser feito.

Movimento para inclusão do idoso no mundo digital ganha força

Todo dia quando encontro minha mãe ela reclama de algo no smartphone porque não sabe mexer direito. O fato é que ela fuça pra caramba e acho isso bom. Além de distrair-se com o WhatsApp, o ato estimula suas funções  cognitivas como memória, velocidade de resposta e raciocínio. E isso já é comprovado cientificamente.

Mas antes da minha mudança aqui pra perto, ela sequer tinha acesso a internet. E além de pegar no seu pé pela alimentação e prática de atividade física, a estimulei a desbravar esse mundo novo de possibilidades, como acessar o internet banking para controlar o seu orçamento.

Embora tenha sido difícil no começo (e ainda é), é um dever da gente ajudar nessa transição. É claro que nem todo mundo tem paciência e eu mesma já perdi a minha zilhões de vezes, mas já há um movimento inteirinho destinado a inclusão dos 60+ nesse admirável mundo digital. O Senior Geek tá aí pra isso é a prova de que muita coisa bacana pode render a partir dessa boa vontade.

“Acreditamos que tecnologia serve para conectar e não para excluir. Ajudamos os 60+ a desenvolver habilidades no mundo digital de forma simples e divertida por meio de cursos, workshops e bate-papos”, conta o idealizador do projeto, Dudu Balochini, da Totalidade Produtora e Consultoria.

Sinal de que o movimento tem dado resultado vem do Google, que elegeu a Senior Geek como startup zone de 2019. Trata-se de um programa realizado no Campus de São Paulo em que o próprio Google oferece mentoria a iniciativas como a de Balochini.

Foi lá que aconteceu o encontro do qual participei no finalzinho de abril. Os assuntos tratados foram os mais diversos. As pautas incluíram desde a postura adequada para usar celular e o papel do influenciadores seniores, até o potencial do mercado prateado e a telemedicina.

Batizado Business for Senior, B2S, os negócios digitais para e idealizados por maduros têm ganhado espaço em todos os cantos. No final de abril também, a Vila Mariana, o bairro que me abrigou por mais de duas décadas em São Paulo, acolheu também o primeiro hub de inovação do Brasil especializado no público sênior.

Para quem está no limbo dos 50

De acordo com os sócios do projeto, um trio de professores egressos da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, a NEXTT 49+  chega para auxiliar profissionais em transição de carreira e até mesmo aposentados que desejam empreender, investindo em um negócio próprio.

Um público que está em crescente ascensão na sociedade brasileira e que anda desassistido, seja como empreendedor, seja pelo próprio mercado, que lentamente vem descobrindo seu enorme potencial.

Embora não tenha acesso aos benefícios dos 60+, é um grupo que padece de atendimento. Os 49+ representam cerca de 50% da renda bruta familiar e não encontram produtos e serviços desenvolvidos especialmente para seu perfil.

E das 2,6 milhões empresas criadas no País no ano de 2018, 34,2% delas tem por trás pessoas acima dos 50 anos, de acordo com o Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. É aí que a NEXTT 49+ pode ajudar, com metodologia desenhada para gerar valor e oportunidades para startups, envolvendo grandes empresas e investidores, em uma iniciativa que vai além de um local compartilhado de trabalho.

Além dos empreendedores, a NEXTT 49+ também vai atender executivos seniores que precisam se adaptar ao mercado de trabalho e às transformações digitais e, ainda, empresas de qualquer porte que desejam criar produtos ou serviços para o público maduro.

Tecnologia como aliada da longevidade

A terceira edição do Simpósio de Envelhecimento Ativo da USP – Universidade de São Paulo, é outra iniciativa que este ano dedicou dois painéis inteirinhos para o assunto ao tratar da revolução tecnológica como aliada da longevidade.  Realizado hoje, 16 de maio, o evento reúne profissionais da saúde, estudantes e pesquisadores interessados na área da longevidade.

De acordo com o professor Egídio Lima Dórea, coordenador do Programa de Envelhecimento Ativo da USP, estamos vivendo uma revolução da longevidade que é fundamentada pelo aumento significativo da população idosa mundial. E pela ruptura de vários padrões relacionados ao idoso e do seu papel na sociedade.

“É de fundamental importância que seja criada uma cultura de saúde e bem-estar na maturidade, que inclua, pelos brasileiros, a adoção de hábitos mais saudáveis e atitudes preventivas para que se possa chegar a idades mais avançadas em boas condições física, mental, psicológica e espiritual”, destaca.

As palestras foram desenvolvidas tendo como base o conceito dos quatro pilares – saúde, segurança, participação e aprendizado continuado – desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, quando lançou o alerta “Envelhecer bem deve ser prioridade global” ao constatar que a população de 60 anos será maior do que os menores de cinco anos em 2021.

O número de idosos cresceu 18% em cinco anos, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo pesquisa nacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44%). Outro estudo, realizado pelo Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade, aponta que a população idosa do Estado de São Paulo representa 14,8% dos 44 milhões de habitantes.

Importante destacar que quando se tem boa vontade sempre dá pra ajudar. O nosso papel é incluir aqueles que estão mais próximos. E nessa hora é preciso uma geropedagogia que eduque o idoso para ele seja o protagonista do próprio envelhecer.

Faça sua parte!

Deixo como exemplo o caso do estudante de Direito Alexandre Drabecki, de Curitiba. Ele criou um tutorial para a avó da namorada aprender a usar o WhatsApp no primeiro smartphone da senhorinha.

Desenhado a mão, o manual traz os ícones da rede social e explica o significado de cada um em detalhes. Os comandos vão desde como abrir o aplicativo no celular até ouvir e gravar áudios.

As pessoas curtiram a postagem em que ele conta o feito e logo começaram a pedir para compartilhar o material disponibilizado por ele aqui.

Que tal ensinar algum amigo ou parente mais velho também?

Com Proxxima e Jornal da USP.

Longevidade do brasileiro implica num desafio econômico maior

Mesmo sem ter recebido educação financeira, meus pais sempre souberam poupar. Ao contrário de mim, que ainda hoje conto com a ajuda deles em várias frentes. E olha que me especializei em Economia, hein! Mas o fato é que nunca consegui lidar bem com o dinheiro e percebo que a minha geração – assim como as mais contemporâneas – padecem deste mesmo mal. Trago este tema porque as discussões em torno da reforma da Previdência despertam para a importância de cuidar bem da saúde financeira enquanto há tempo.

É algo fundamental para se envelhecer com alguma qualidade de vida. Porque ninguém será realmente independente se continuar a contar só com o Estado e a família na velhice.

Atualmente apenas 3% dos brasileiros aposentados conseguem se sustentar com recursos próprios, segundo estudo apresentado durante o Seminário Como Investir, do qual participei. O baixo percentual é justamente consequência da tal falta de educação financeira. Um problema que pode comprometer as conquistas das próximas gerações.

O alerta foi dado pelo economista e escritor Aquiles Mosca, do BNP Pariba Assent Management. Ele foi um dos palestrantes do evento, que aconteceu no dia 25, após o encerramento do 10º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimentos.

“A baixa taxa de poupança do brasileiro costuma ser justificada por ganhos insuficientes, mas a culpa não é da renda e sim do gasto.  Estamos vivendo mais e é preciso aprender a gerir bem as finanças durante a vida produtiva porque isso implica num desafio econômico maior para todos, não só para o governo”, disse.

Protagonismo para assumir o controle

O economista Martin Iglesias, do Itaú-Unibanco e vice-presidente do Comitê de Educação para Investidores da ANBIMA, concorda. Para ele, o primeiro passo para assumir o controle financeiro se dá com mudança de hábito.  “É preciso protagonismo”, disse. Assim, o primeiro gasto do mês deveria ser com a poupança. Só depois o custo de vida deve se adequar ao restante do orçamento.

A estratégia para criar um orçamento adequado foi destacada pelo escritor Gustavo Cerbasi, especialista em Inteligência Financeira. Ele demonstrou a importância de se manter um planejamento em que as despesas possam variar. “Um orçamento fixo não me dá margem de manobra caso ocorra algum imprevisto”, disse.

E imprevistos acontecem. Para lidar com eles, a Monja Coen sugeriu a prática da respiração consciente. Uma dinâmica postural que ajuda na reflexão e na tomada de decisões. “Não é errado obter lucro, mas é preciso avaliar para quê eu obtenho e como eu vou investir o que ganhei.”

E, então? Você  se considera um bom gestor de recursos? Sabe poupar? Melhor ainda: sabe gastar?

Se a resposta for sim, sinta-se parte de uma minoria. Sete em cada dez brasileiros não fazem reserva, mostra pesquisa recente da Serasa Experian. Ainda segundo o estudo, metade dos brasileiros desconhece as vantagens de guardar dinheiro. “Na história recente do país passamos por diversas crises econômicas e isso contribui para esse quadro”, avaliou o especialista Bruno Papi, fundador da escola de investimentos Criando Futuro.

Ele recorda que há algumas décadas apenas houve um confisco na caderneta de poupança, o investimento preferido da população. Por isso pouca gente confia nas instituições financeiras. E houve ainda quem precisasse abrir mão dos recursos guardados pelo desemprego.

O outro motivo é a cultura. “O brasileiro médio é naturalmente imediatista. Ele não quer abrir mão do prazer presente para obter um ganho futuro maior. Isso só mudará com bastante esforço dos educadores financeiros e com a mídia contribuindo para essa divulgação”, afirmou.

Custos maiores após os 50 anos

A situação piora para a população na faixa de 50+, que costuma poupar menos ainda. Isso porque hoje em dia é bem comum os filhos morarem com os pais e tornarem as contas mais altas do que os ganhos, além dos próprios gastos aumentarem com saúde e moradia.

Papi destacou ainda a importância de se poupar em todas as faixas etárias. “Quem começa primeiro sai na frente – e isso significa que quem tem de 50 anos para cima precisa planejar com mais cuidado”, afirmou.

Saia do lugar e dê o primeiro passo

Mas nunca é tarde para começar a guardar dinheiro. Por pior que seja o cenário será melhor poupar o que conseguir do que deixar nas mãos do acaso. “Atualmente encontramos em corretoras e pequenos bancos opções bem decentes, com baixo valor de investimento e segurança, como no Tesouro Direto ou em CDBs [certificados de débito bancário]. São bons primeiros passos para iniciar uma poupança”, sugere.

Os 3 principais desafios para guardar dinheiro são:

#Segurança

Entender os mecanismos financeiros e quais são as aplicações que funcionam melhor para você e seu objetivo, além de saber onde pode ou não haver perdas.

#Informação

Existem milhares de consultores e conteúdos na internet, além dos meios tradicionais, como os gerentes de bancos e as corretoras. É preciso compreender o básico para filtrar o que é confiável e evitar cair em armadilhas, inclusive da própria instituição financeira ou do assessor.

#Disciplina

Manter o foco e evitar gastos desnecessários não é fácil em nenhuma idade. Você precisa ter isso em mente e evitar sabotadores, porque vão surgir vários nessa nova jornada.

A maneira como cada pessoa lida com o seu dinheiro é muito particular. Daí a importância de fazer um planejamento!

Textos escritos originalmente para os portais da ANBIMA e do Instituto da Longevidade Mongeral Aegon.

Saiba mais em Sobrevivência da aposentadoria pede remédio amargo.

Veja também Aposentadoria: o melhor roteiro é o planejamento.

Porque o tempo, o tempo não para

Não faz muito tempo eu indiquei aqui três eventos imperdíveis para 2019. Mas este Brasil Sênior ganha cada vez mais destaque e tem muita, muita coisa legal mesmo rolando. Tudo para promover a inclusão entre gerações e o envelhecimento ativo.  

Num momento crítico para o País, no qual o atual governo dá um passo atrás ao extinguir o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, é importante destacar iniciativas da sociedade civil em prol da transição demográfica.

E qualquer mobilização nesse sentido é louvável porque nosso futuro é velho, sim!

Entre as novidades que trago quero destacar o lançamento do Papo de Velha Moderna. Trata-se de um canal criado pela amiga Sueli Gonçalves, em parceria com Mimi Matti, que chega para discutir as dores e as delícias de ser uma 50+ nesses tempos atuais. Dá uma espiada no que elas dizem!

Na mesma linha, outras empoderadas 50+ se uniram para criar o Dominique. No ar há quase 4 anos, o projeto abre espaço para as mulheres contemporâneas partilharem  suas histórias. Como descreve sua fundadora Eliane Nahas: “Dominique vem para representar muitas mulheres.  Ela é um personagem ficcional, mas conta histórias de verdade, que poderiam ter acontecido com você ou com sua amiga.”

E afinal, essas super poderosas estão hiper produtivas em todos os sentidos e sem muitas daquelas limitações impostas pela vida da jovem mulher.

Plataforma para conectar empresas aos profissionais 50+

Outra iniciativa que comprova a produtividade dos maduros  é o Maturi Fest 2019, primeiro festival do empreendedorismo 50+ do Brasil. O evento tem as mãos de Mórris Litvak, do MaturityJob. Uma plataforma que nasceu para unir esses profissionais 50+ às empresas. Interessados podem se inscrever aqui.

A partir da próxima segunda-feira, dia 6 de maio, durante três dias, a cidade de São Paulo vai realizar a V Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, promovida pelo GCMI- Grande Conselho Municipal do Idoso, e presidida por Marly Feitosa, com apoio da Coordenação de Políticas para Pessoa Idosa, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, no Palácio das Convenções do Anhembi.

A participação é aberta para todas as pessoas idosas da cidade, mas a organização está trabalhando com a previsão de presença de mil pessoas, sendo que 830 delas de idosos e trabalhadores do setor, da sociedade civil escolhidas em encontros regionais, nos territórios das 32 subprefeituras, 120 vagas do governo e 50 para convidados.

O tema da conferência municipal será o mesmo da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, prevista para ser realizada em Brasília, em novembro de 2019: Os Desafios de Envelhecer no Século XXI e o Papel das Políticas Públicas, que já foi debatido em mais de 300 conferências em todos os Estados, desde o final do ano passado.

Destaco ainda o 3º Simpósio da USP – Rumo ao envelhecimento ativo, promovido pela Universidade Aberta da Terceira Idade (UATI), e coordenado pelo médico Egídio Lima Dórea. Ano passado eu participei e foi incrível. Muito aprendizado.

Este ano ele acontece no dia 16 de maio e traz um painel inteirinho sobre envelhecimento e tecnologia. Confere a programação!

Pra provar que velhice e tecnologia tem tudo a ver participei na sexta, dia 26 de abril, do Senior Geeks, no Campus do Google, em São Paulo. A proposta é usar a toda a parafernália tecnológica para conectar e não para excluir, ajudando os 60+ a desenvolver habilidades no mundo digital de forma simples e divertida, por meio de cursos, workshops e bate-papos. Uma iniciativa tão legal que ganhou aval do Google Startup Zone.

Também fui convidada a participar de um novo grupo de discussão batizado de Estação LongeVIDAde Ativa, pela Terezinha Augusta Carvalho, mestre em Gerontologia. Mais adiante prometo fazer uma relação dos grupos que discutem o envelhecimento no Facebook para quem tiver interesse, além de escrever mais sobre tudo que aprendi no Senior Geeks. Foi fantástico.

Gente, é tanta coisa incrível que tenho receio de esquecer…

É o caso do webnar – seminário online em vídeo, gravado ou ao vivo, e que geralmente permite a interação da audiência via chat – do Lab60+ com um pessoal bacanérrimo, capitaneado pelo Sérgio Serapião. Além da já citada anteriormente Virada da Maturidade, entre 11 e 14 de abril, um baita sucesso como sempre.

Em sua 4a edição, o evento se consolida como o primeiro e maior festival que promove o protagonismo dos idosos, com experiências e atividades gratuitas, celebrando uma vida socialmente mais ativa, com qualidade, independência, conforto e segurança.

Ufa!  O tempo não para mesmo. E não é que o ano já está quase na metade? Isso me lembra um poema, que eu adoro. Quero me despedir com ele. Até a próxima!

Tem horas que é caco de

vidro

Meses que é feito um

grito

Tem horas que nem

duvido

Tem dias que eu acredito.

Leminski

Com informações do Jornal da 3ª Idade.

Já parou para pensar como é envelhecer por dentro?

Estou de volta depois um tempinho ausente. É que estava trabalhando no novo Casa de Mãe, que acaba de completar um ano. Pode ser que não se note tanta diferença estética, mas o “backoffice”, como se diz, está mil vezes melhor.  Agora não é o que tempo faz do lado de dentro da gente. O “backoffice” do nosso corpo se transforma automaticamente com o passar dos anos. É o natural da vida, já que não inventaram nenhum tipo de botox pro pulmão, pro coração ou pro intestino.  Ainda!

Eu trago esse assunto porque participei no último sábado de um congresso de Radiologia, em São José do Rio Preto. Os organizadores trouxeram um painel inteirinho dedicado ao envelhecimento.  Pra quem não sabe, a Radiologia é a área médica que usa imagem para diagnosticar e tratar doenças.

Nem preciso dizer que foi muito produtivo porque é sempre gratificante ter acesso ao conhecimento. Espero conseguir compartilhar um pouco desse aprendizado.  

Que tal começar observando a diferença entre um pulmão de 25 anos e um de 75 anos, na foto abaixo:

Sim! É isso que você está vendo. O envelhecimento modifica  anatomicamente e fisiologicamente nosso interior. Mas eu nunca tinha parado para pensar sobre o meu lado de dentro – nossa retaguarda.

Esse é um desafio que foi apresentado aos novos profissionais, que precisam entender as modificações dos órgãos nos idosos. Como tudo muda de forma, a mecânica de coisas simples, como respirar, por exemplo, fica naturalmente diferente.

Reconhecer essas mudanças é fundamental para não tratá-las como patologia e realizar um diagnóstico preciso.

Sim, porque o diagnóstico por imagem ganhou precisão com equipamentos como ultrassonografia, tomografia computadorizada, medicina nuclear, radiologia intervencionista e ressonância magnética. Mas é óbvio que tudo isso exige qualificação profissional.

De nada adianta tanta tecnologia sem formação adequada.  Porque um monte de dados não vale de nada se não houver um bom analista para interpretá-los.

Taí um lado bom do envelhecimento da população. A gestão de pessoas idosas abriu um campo de especialização em diversos setores da cadeia produtiva.  A Gerontologia é hoje uma das áreas de maior crescimento.

Agora, sem investir em Pesquisa & Desenvolvimento também, muito pouco se poderia fazer em prol do bem-estar do idosos. É preciso entender que a tecnologia é uma ferramenta fundamental para as diversas condicionalidades e demandas inerentes ao processo de envelhecimento.

Tecnologia em favor da longevidade

Um exemplo disso é o tomografo da GE Healthcare que consegue capturar imagens detalhadas do interior do corpo humano na velocidade de um único batimento cardíaco. Para se comparar, os modelos tradicionais precisam de cinco a 13 batidas.

Por ser mais rápido, com maior cobertura, permite fazer exames mais precisos em pacientes como crianças que se mexem muito ou idosos que não conseguem prender a respiração.

O que essa dobradinha – profissionais gabaritados e tecnologia de ponta – proporciona?

Simples: maior longevidade, melhor qualidade de vida, detecção precoce de doenças, tratamentos mais eficazes, menos invasivos e mais seguros, além da redução do tempo de internação hospitalar e da mortalidade.

A Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed) destaca ainda os transplantes realizados aqui, que deram respeitabilidade mundial ao Brasil. E o sistema de neuronavegação, um conjunto de tecnologias assistidas por computador que possibilita a ressecção de tumores cerebrais permitindo cirurgias com maior segurança em locais do cérebro de difícil acesso.

Outros avanços importantes como produtos para audição, medidores de insulina e marcapassos, para citar alguns apenas, revolucionaram a saúde fora do ambiente hospitalar. E novos players devem continuar trazendo mudanças no mercado de saúde.

Os serviços de monitoramento remoto de pessoas deverão ser ampliados. A radiologia intervencionista tende a ser a nova cirurgia. A robótica ganhará espaço assim como a genômica.  A telemedicina deverá se intensificar.

A minha dúvida é: será que só quem tem dinheiro terá acesso? Espero que não! Como a internet que hoje beneficia quase 4 bilhões de pessoas no mundo, espero sinceramente que milhões de pessoas de áreas mais distantes do País possam ser atendidas remotamente e ganhar qualidade de vida.

Que assim seja!

Estou me tornando a minha mãe. E tenho orgulho disso!

Eu não sei ao certo quando isso aconteceu.  O momento em que me tornei a minha mãe. É claro que não foi uma transformação completa, mas quando me olho no espelho vejo muito dela. Não estou falando de aparência não, embora tenha herdado muitos traços também. Falo de atitude, comportamento mesmo. Eu tenho orgulho disso e nem me importo mais.

Sabe por quê?

Pensando bem, se ela não fosse como é eu não seria eu quem eu sou.

Ela me deu bons exemplos nas grandes questões da vida. Naquelas que realmente importam.  Graças aos princípios dela construí meu caráter e minha índole. Minha essência boa foi cultivada e é isso que importa.

Porque as pequenas coisas a gente tira de letra, né?

E a cada dia que passa eu entendo mais minha mãe. Entendo mais as atitudes dela, compreendo melhor cada não e cada sim que ouvi ao longo da minha vida ao seu lado. Era tudo aos moldes dela, dentro de seus limites daquele momento.  

Acho que é mais fácil perceber isso quando se tem filhos.  Eu não tenho, mas essa proximidade com os bons velhinhos me fez me colocar no lugar deles várias e várias vezes.

Eu fico imaginando um filho meu chegar em casa com mais uma tatuagem no braço, por exemplo. Ou me contando que fumou maconha.  Mesmo que eu não retaliasse, faria um drama absurdo…

Olha eu aí sendo igualzinha a minha mãe!

Seria exatamente o que ela faria comigo.  Só que as coisas mudam. Os tempos são outros e hoje talvez ela até tivesse uma atitude diferente. O que requer de mim outra postura também diante da minha mãe.

Vai saber se logo mais ela não me aparece com uma tatuagem ou um piercing por aqui! Vai saber…

Esses velhinhos andam tão modernos!  Porque ela também mudou e está toda diferentona. Pra “frentex”, como ela diz agora de posse de seu aplicativos e fazendo bom uso da internet. Então , o lance é pegar leve.

Mas tem coisas que não mudam mesmo. De jeito nenhum.  Nunquinha. Esses dias me peguei pensando em quais atitudes eu me pareço mais com a minha mãe. Não achei uma só não, mas uma lista de comportamentos que provam que estou igualzinha a ela. Quer ver?

# A louca da localização

Peço pros amigos mandarem mensagem quando chegam em casa. E pros filhos também! Bendito Whatsapp, né gente? Imagina ter de ficar ligando pra todo mundo pra ter algum sinal de vida? Porque era assim na época da mamãe…

# Vai sempre fazer frio

Digo pra todo mundo levar uma blusa pra sair. Todo mundo mesmo! Virou meio mania, sabe? Outro dia o filho de uma amiga ia pra balada e me peguei recomendando ao garoto levar um casaco… Oh my God!

# Ai minhas manias…

Tenho hábitos estranhos como separar duas buchas para lavar louças: uma delas só para os copos. E deixo isso anotado para quem quiser ver. Não ouse misturar as duas. Tenho a impressão de que o copo não ficará bem limpo. TOC? Que seja!

# Gentileza gera gentileza

Não me conformo com falta de gentileza.Taí uma coisa que não faço questão de mudar. Tem de ser gentil sim! Seja homem ou mulher. Minha mãe sempre prezou pelas pequenas gentilezas como abrir a porta do carro pra ela. E eu também.

# Mas quem é mesmo?

Troco nomes. Eu sei que isso é imperdoável, mas não é por mal. E os nomes nem costumam ser parecidos. Chamo Marta de Solange e assim por diante. Não sei de onde tiro isso. Cismo que a pessoa tem cara de Marta mesmo chamando Solange e aí lascou-se.

# Sem memória

Repito a mesma história um monte de vezes. Repito e repito e repito. Sempre como se fosse a primeira vez. E fico surpresa quando o ouvinte não faz cara de surpresa. Por que será, né?

E vocês? Já pararam pra pensar quais são suas semelhanças com as suas respectivas?

Texto originalmente publicado em Dominique.